RTP, SIC E TVI criticam modelo da TDT
Os responsáveis pela RTP, SIC e TVI criticaram quarta-feira o lançamento da Televisão Digital Terrestre (TDT), previsto para 2012, lembrando que é preciso esclarecer o modelo de negócio subjacente a um canal digital de partilha de conteúdos.
O presidente da Impresa, Francisco Pinto Balsemão, o vice-presidente da RTP, José Marquitos, e o presidente da Media Capital, Miguel Pais do Amaral, teceram críticas às condições em que a TDT vai ser lançada no próximo ano, durante um debate sobre Media e Convergência, no 21.º congresso promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC).
A TDT vai ser introduzida em Portugal a partir de janeiro, com o início das emissões digitais, que substituem o analógico, e a cobertura total do País deverá estar concluída em abril, de acordo com o calendário atual.
Segundo o presidente da Impresa, a entrada da TDT atualmente “faz menos sentido”, nomeadamente quando se assiste à expansão da televisão paga.
Os portugueses que têm televisão gratuita, ou em sinal aberto, vão ter de comprar um descodificador, caso o equipamento não capte o sinal digital, para continuarem a ver televisão.
Atendendo ao forte consumo de televisão paga em Portugal, Balsemão considerou que irá “haver um número cada vez mais reduzido [de lares] para pôr as ‘set-top-boxes’ [descodificadores do sinal analógico para o digital]”.
Francisco Balsemão disse ainda que o “espaço [do espectro] analógico é muito superior ao digital”, pelo que o setor até reclama um dividendo digital de apoio ao investimento na área da alta definição.
O empresário acrescentou ainda que a entrada da TDT até “poderá ser adiada até final do ano”.
Sobre a eventualidade de um canal digital com partilha de conteúdos, Balsemão considerou “uma ideia romântica um bocado difícil de concretizar”.
Já o vice-presidente da RTP defendeu a necessidade de se perceber “o modelo de negócio” do canal de partilha de conteúdos, lembrando ainda os esforços que a Portugal Telecom está a fazer para conseguir “cumprir os prazos”.
Para Pais do Amaral, a TDT “representa uma oportunidade perdida para a televisão free-to-air” [de canal aberto], porque poderiam ter alargado a sua oferta. O empresário lembrou ainda o “conflito interno” que existe na empresa que está explorar a TDT, neste caso a PT, comentando que esta “ficará contente que todos os lares portugueses tenham MEO”.
A sessão contou com o secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, no encerramento.
O governante, que elogiou a capacidade do setor das tecnologias de informação e comunicação, considerou “fundamental” o papel das empresas desta área para ajudarem Portugal a sair da crise.
Da parte do Governo, o Estado “deve criar condições” para ajudar, mas “não deve subsidiar”, adiantou.



