Doença inflamatória do intestino

Doentes vítimas de desconforto social e profissional

13 | 05 | 2014   18.26H

Despedimento devido à doença inflamatória do intestino é situação partilhada por cerca de um terço dos doentes.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Desconforto. A palavra é familiar para os mais de 20 mil portugueses que vivem com doença inflamatória do intestino. Um desconforto que se sente nas relações pessoais e chega ao mundo laboral, onde a incompreensão é não raras vezes uma realidade. E os resultados do estudo europeu que avalia o impacto da doença na vida de quem dela sofre são prova disso.

As cerca de 5.000 entrevistas a outros tantos doentes de mais de 20 países, Portugal incluído (por cá inquiriram-se 160 pessoas, 69% das quais doentes de crohn e 29% doentes de colite ulcerosa), confirmam que o desconforto social é uma constante. A frequência da necessidade de ir à casa de banho, consequência deste tipo de problemas, pode ser já uma rotina, mas isso não impede que se torne um fardo na vida dos doentes. Ao todo, 36% dos portugueses inquiridos confirmam ter sido alvo de piadas por este motivo.

A inquietação com a casa de banho é tanta que 53% preocupam-se com a disponibilidade do WC sempre que têm que se deslocar, com 56% a considerarem esta uma questão fundamental na hora de planear uma viagem ou uma simples saída.

Fazer amigos é complicado para 22% por causa da doença, tendo 45% admitido que os problemas de saúde os impediram mesmo de apostar numa relação pessoal.

Injustiças e discriminação

No trabalho, as coisas não correm melhor. O stresse, resultado das faltas ao trabalho na sequência da doença, é sentido por 59%, com a maioria a confirmar que o absentismo laboral é, aqui, realidade: 75% já faltaram pelo menos um dia por causa da doença e 21% faltaram mais de 25. As consultas (69%), emergências médicas com ida ao hospital (54%), fadiga (43%) e cólicas ou dor abdominal (34%) são os principais responsáveis.

Mas não são as faltas as únicas a prejudicar a vida profissional dos doentes. A discriminação existe no local de trabalho (19%), com 24% a admitirem terem sido vítimas de queixas e comentários injustos ao seu desempenho profissional e 31% a quem a doença já fez com que se despedissem ou fossem despedidos.

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