entrevista

5-30 junta Carlão, Fred e Regula hoje no Sudoeste

08 | 08 | 2014   13.54H

Eles são Carlão, Fred e Regula. Juntos chamam-se 5-30 e já chegaram em março, com um álbum homónimo. Invadiram vários palcos do País, em concertos, Queimas das fitas e festivais e preparam-se para aterrar esta noite no Meo Sudoeste. O Destak esteve à conversa com Carlos Nobre, Carlão ou Pacman. Descubra afinal quem é quem no meio destas identidades musicais!

Filipa Estrela | festrela@destak.pt

Como se lembraram de se juntar os três neste projeto?Este projecto surgiu na sequência da Mixtape de Orelha Negra, onde entro eu e o Regula. Fizemos uns ensaios para a apresentação ao vivo do concerto no Sudoeste e trocámos ali umas ideias. O Fred e o Samuel [Sam the Kid], lançaram o desafio de me porem a rimar de novo, com uns beats. Curiosamente ou não, acabámos por ficar todos no estúdio Ya, em Campolide. Cada um de nós tinha lá uma sala. Quando começámos a trabalhar numa ou duas músicas, o Samuel começou a distanciar-se e a deixar tudo nas mãos do Fred, que começou a desenvolver uma série de beats. O Regula saltou para dentro do barco porque estava a gostar, e em menos de nada começámos a perceber que tínhamos mais do que um par de músicas para curtir. Percebemos que tínhamos material para fazer um álbum, e começámos a pensar num nome. E numa questão de meses fizemos o disco.

Acabaram por ir buscar o nome ao estúdio que vos juntou!
Sim, o nome desde projeto 5-30 vem do número da porta, que é o 530-B. Tivemos a ideia de fazer algumas coisas, mas a proximidade que se criou ali ajudou a dar forma ao projeto e a torná-lo disco. Era muito fácil, o Fred criava um beat, mostrava-nos ali na sala ao lado e as coisas fluíam muito rapidamente. Sugeri esse nome, porque fazia todo o sentido. Aconteceu tudo ali, no 5-30.

Cada um dá o seu input ao projeto. De que forma vocês os três se completam?
O Fred assumiu um papel de produtor muito importante. Ele já tinha feito um pouco nos Orelha Negra, mas nunca tinha assumido esse lado dos instrumentais num disco inteiro. Eu tenho uma parte mais cantada, apesar de o Regula e o Samuel me terem puxado para rimar nalguns temas, e ainda bem que o fizeram. Complementamo-nos todos, sim, porque conhecemo-nos todos muito bem.

Qual o papel dos vários convidados?
Também não são assim tantos! Na verdade, o Samuel está na génese desta banda dos 5-30, foi o agente provocador. Quando percebeu que o Fred estava muito focado e a fazer um trabalho muito interessante na parte instrumental, nem se quis meter. Então acabou por participar em três temas importantes do disco. Apesar de ser um convidado, é um convidado especial porque esteve presente em momentos importantes. E a sugestão da capa até é dele, por exemplo. Depois temos o Richie Campbel que deu uma perninha, e temos a Vanessa que fez umas vozes.

Como é que te organizaste com o Regula em relação às letras?
As minhas partes são minhas, e as do Regula são do Regula! Ele foi uma boa surpresa. Ele é super perfecionista na escrita e na métrica, e em pormenores que a maior parte das pessoas não se dão ao trabalho de pensar. Temos os dois uma linguagem muito direta, mas diferente. Dentro dessa crueza cada um de nós tem um estilo muito próprio, por isso complementamo-nos muito bem.

O resultado acaba por ser, nos dois casos, letras quase sem censura, sem papas na língua!
A ideia foi essa. Às vezes pode haver uma auto censura da minha parte, numa ou noutra coisa. Mas acho que há palavras que fazem todo o sentido e às vezes uma asneira não pode ser dita de outra forma. Não há outra palavra que a substitua. Cada palavra tem um valor especifico e intrínseco. Não gosto de usar asneiras de uma forma gratuita, mas uso quando são necessárias e não dá para substituir. Nesse aspeto é mesmo à vontade!

Até porque provavelmente precisam de dizer as palavras certas quando querem passar mensagens. E neste álbum parece que têm muitas mensagens a passar!
Sim, acho que sim! A mensagem importante a passar neste álbum é a nossa maneira de estar em relação aos assuntos de que falamos. Mais do que embandeirar o que quer que seja, acabamos por partilhar as nossas vivências. É um disco muito virado para as mulheres, e isso também vem muito da influência do Fred a fazer os beats. À exepção de Chegou a Hora, que é o primeiro single, os temas são muito dengosos, muito sensuais. Sempre que partilhava uma música connosco para ouvirmos, punha uma fotografia de uma manequim ou de uma miúda bonita que o tinha inspirado. Mas mesmo sem fotografia, quase tudo levava sempre para essa paixão comum aos três que é as mulheres.

Há alguma música do álbum que seja especial?
Para ser sincero, já temos o disco há alguns meses e há várias músicas que gosto bastante. Se calhar daqui a um ano vou conseguir fazer essa avaliação. Agora é tudo muito fresco e estamos a rodar as músicas ao vivo. Elas vão-se alterando e nossa percepção também se vai alterando.

Que concertos têm em agenda para o verão?
Temos alguns festivais. Tivemos a Expofacic, vamos ter o Sol da Caparica [15 de agosto] e o Sudoeste. A verdade é que tem corrido muito bem nas queimas e nos festivais. O pessoal tem cantado as letras todas, além do single. Nós também nunca tínhamos atuado os três juntos em palco, durante um concerto inteiro. Então estamos a descobrir as nossas dinâmicas e está a correr muito bem. Acho que é o primeiro projeto em que estive que correu tão bem a tocar o disco de estreia.

Prepararam alguma coisa especial para o Sudoeste?
Há um par de coisas que preparámos, mas que não posso falar porque senão perde a piada. A maior parte das pessoas que vão estar no Sudoeste ainda não viram 5-30 ao vivo, por isso para elas vai ser uma novidade. Não vale a pena estarmos a inventar grandes truques. Só o facto de estarmos a tocar o nosso disco do início ao fim, naquele palco, já é uma novidade.

Vocês descreveram este trabalho como um disco de agora. Queres explicar?
Faz sentido, porque aponta direções. Não sendo direções muito novas, estão de acordo com o que se está a fazer. É um disco contemporâneo, que vive muito à base dos sintetizadores, as programações estão de acordo com isso. É um disco atual nesse aspeto. Não sei se é hip hop ou não, mas acaba por ser um hip hop muito na linha do que se está a fazer, com o tratamento das vozes, dos efeitos. Pelo menos é um dos caminhos para onde o hip hop está a virar. Este disco nunca poderia ter sido feito há mais tempo. Este tu ouves e percebes que tinha de ser de agora, pelo próprio som e pelas referências que lá estão.

Se é que vais conseguir ter férias, o que tencionas fazer?
Num ano normal em que estou a tocar, tenho férias diferentes das outras pessoas. Consigo tirar ali uma semana e meia duas no máximo no verão, e depois o resto é no inverno. E é sempre com a minha mulher e a minha filha e tentar curtir o máximo com elas.

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As personalidades musicais
Carlão – É o meu nome de sempre, desde criança. É o nome que o pessoal lá da minha rua me chamava. Até a gozar porque era muito pequenino em relação a eles, então Carlão era como se chamássemos fininho a um gordo! Entretanto cresci mesmo e fiquei mais alto que eles todos! Entretanto, quando os Da Weasel acabam, tive tempo, disponibilidade e vontade de aprofundar algumas coisas que em Da Weasel só tocámos ao de leve como foi o punk harcore dos Dias de Raiva, em que me assumo como Carlão. E tudo aquilo que eu possa vir a fazer na música, faço enquanto Carlão. No fundo não são assim tão diferentes os nomes, no final do dia sou eu.

Pacman – Quando os Da Weasel foram criados, havia ali uma forte influência norte-americana e do hip hop. Fomos todos buscar alcunhas em inglês, e eu fui buscar o Pacman, que era um jogo que eu gostava muito quando era criança. E gostava dessa ideia, do boneco comilão. Se há pessoas que me conhecem, conhecem sempre primeiro como o Pacman dos Da Weasel. Criou-se ali uma personagem meio reguila, ligado ao hip hop, com uma postura mais rock. Quem conhecesse Da Weasel a sério sabe que eu não me esgotava nas rimas e as minhas referências ultrapassavam o hip hop. Tínhamos momentos punk/hardcore e outras fusões.

Carlos Nobre – Em Algodão, como é uma coisa mais íntima meti Carlos Nobre que é ainda mais intimo. Carlão é o meu nome normal para toda a gente. No Algodão há aquele lado de prosa poética mais pessoal.

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O que ainda pode ver no 18º Sudoeste, na Zambujeira do Mar

8 de agosto
Palco MEO – Sebastian Ingrosso, Gentleman, 5-30, O Rappa, B4
Moche Room – Olivier Ingrosso, John Steven, Nelson Freitas, Dentinho
Palco Santa Casa – Melech Mechaya, Time for T.

9 de agosto
Palco MEO – Alesso, Seu Jorge, Jamie Cullum, Selah Sue, Yuri da Cunha
Moche Room – DJ Glue, Overule, Sensi, Zona 5
Palco Santa Casa – Diabo na Cruz, Los Waves

10 de agosto / Dia D
Palco MEO – David Guetta, Example, Benny Benassi, Kura, Karetus, Djeff Afrozila
Moche Room – Rui Vargas, DJ BL3ND, Miss Sheila, Dengaz
Palco Santa Casa – Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Maria Bradshaw

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