Investigação

Menos população, mais incêndios

14 | 08 | 2014   12.06H

É nos concelhos com menos gente e menos bombeiros que os incêndios mais castigam, defende um estudo nacional. Uma melhor gestão é também conselho na luta contra os fogos.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

É tempo deles, dos incêndios leia-se. Por falta de cuidado, propositadamente ou simplesmente por condições difíceis de controlar, os meses mais quentes são também aqueles em que os soldados da paz mais vezes são solicitados. E, de acordo com um estudo da Universidade do Minho (UM) e do Instituto Politécnico de Viseu, os fogos florestais causam mais danos em concelhos despovoados, com menos bombeiros e com baixa despesa municipal para o ambiente.

Paulo Reis Mourão, professor da Escola de Economia e Gestão da UM e de Vítor Martinho, da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu lançaram mãos à obra e avaliaram os incêndios e áreas ardidas nos municípios portugueses em 2000 e 2011. Uma análise transformada em artigo científico, publicado na revista Forest Policy and Economics, que confirma que «os fogos florestais alastram mais em áreas desertificadas (que se identifica pela sua densidade populacional, atividade bancária local ou número de novas empresas), mas alastram também nas áreas onde escasseiam os operacionais de combate por quilómetro quadrado de atuação imediata, ou seja, os poucos efetivos existentes no respetivo concelho e nos concelhos vizinhos», refere Paulo Reis Mourão em comunicado.

Um trabalho que avança também com propostas, aquela que visa que o combate aos fogos seja feito através de uma gestão integrada entre bombeiros e o voluntarismo dos cidadãos e associações. «A profissionalização do setor melhorou a remuneração, preparação e seleção de operacionais. Porém, minimizou as virtudes da ação voluntária realizada durante dezenas de anos, com a entrega pronta das pessoas na defesa do património e dos familiares e o seu maior conhecimento da imensidão e variedade do território», refere a mesma fonte.

A prevenção ambiental, que tem merecido, salienta Paulo Reis Mourão, uma fraca aposta dos municípios é outro critério que potencia danos florestais avultados, como a perda irreparável da vida de bombeiros e civis até aos longos períodos de reflorestação, com a quebra de rendimentos de proprietários afetados e a desvalorização de ativos públicos e privados. A este nível, o estudo sugere uma melhor gestão das matas, a articulação de proprietários, associações, corporações e proteção civil em planos de sustentabilidade ambiental e um quadro legal mais eficaz. «É difícil controlar o fogo como desejamos, mas devemos aprender com os erros cometidos na gestão, controle e combate a incêndios, para minimizar perdas futuras», acrescenta o especialista.

Atenção redobrada

A 31 de outubro, a Guarda Nacional Republicana vai estar atenta às florestas. A operação Floresta Segura inclui ações de patrulhamento e vigilância das zonas florestais, não só para prevenir e detetar incêndios florestais, assim como evitar atividades ilícitas contra o património florestal. Com o apoio da Autoridade Nacional de Proteção Civil, aos 591 militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro em ações de primeira intervenção juntam-se 948 militares e civis do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente, a quem cabe validar e medir as áreas ardidas e investigar as causas dos incêndios.

Foto: DR
Menos população, mais incêndios | © DR

4 comentários

  • Prendam os terroristas incendiários e e vão ver como os incêndios diminuem para 99%. Publiquem uma lista com o nome desses que foram apanhados para as pessoas terem conhecimento . As autoridades não têm que tomar em conta as desculpas apresentadas por estes sujeitos. O que têm é que condená-los. As pessoas não podem estar à mercê de loucos que a seu belo prazer destroiem bens, morrem pessoas, gastos desnecessários e outras coisas que de isto possam resultar.Ou se toma uma atitude severa quanto a estes casos ou deixamos que o vandalismo se propague aos extremos.
    Cadeia para incendiários | 28.08.2014 | 07.27Hdenunciar comentário
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  • Uma coisa é certa. Os incendiários têm sido apanhados pela polícia . Como se verifica são os principais causadores de todos estes incêndios que assolam o nosso país causando mortes e prejuízos avultados. Uma pessoa que pratica este tipo de atos sejam menores ou adultos não podem ser desculpados porque apresentam justificações por vezes tão ridículas que é mesmo de espantar.
    Castigos para estes crimes | 24.08.2014 | 10.44Hdenunciar comentário
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  • Este Estudo sobre os Incêndios, em haver mais incêndios nos concelhos com menos habitantes que no restante Território Nacional, está mais enquadrado para as estatísticas do INE do que propriamente para o estudo/inquérito em causa. O principal Problema e a principal Causa dos incêndios é que são provocados por alguém, Incendiários/Criminosos. Ou são provocados por estes autores ou por alguém acima destes, com interesses económicos, do lucro e da ganância. Não têm nada a ver com falta de meios, falta de limpeza, falta de nada. Existe sim falta de responsabilidades e de consenso mútuo entre as entidades e intervenientes. Antigamente era raro haver incêndios florestais, só à 20/30 anos é que os Criminosos Incendiários têm atacado em todas as frentes florestais. Um País como o nosso, um País florestal, está um país árido e desértico quase reduzido a cinzas. A solução: Porem esses criminosos a trabalhar a floresta, plantação, manutenção, do parque florestal, de sol a sol. Acabava-se logo com a praga/crise dos incêndios. Trabalho comunitário, trabalho prisional, era a solução.
    josé miguel | 18.08.2014 | 18.20Hdenunciar comentário
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  • É Totalmente verdade que onde há menos população há mais incendios florestais devido á falta de meios,de pessoal no terreno e das tempraturas muito elevadas no Verão. No Algarve no Concelho de Loulé as temperaturas batem recordes máximos chegando aos 35 ou mais e isso é um risco muito grande para os incendios.
    JOÃO GUERREIRO | 15.08.2014 | 11.46Hdenunciar comentário
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