Automóvel

Frotas das empresas portuguesas vão encolher em contraciclo com Europa

24 | 05 | 2011   09.13H

A crise no setor automóvel vai agravar-se nos próximos três anos em Portugal, com empresas portuguesas a reduzir entre três e quatro por cento as frotas, em contraciclo com as congéneres europeias, revela um estudo.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Segundo o barómetro ‘Corporate Vehicle Observatory 2011’ (CVO), estudo de uma empresa de Grupo BNP Paribas que antecipa tendências na gestão de frotas automóveis empresariais, as médias e grandes empresas portuguesas deverão reduzir em três por cento as frotas nos próximos três anos, assim como as micro e pequenas empresas antecipam uma redução de quatro por cento.

Trata-se de uma tendência contrária à das congéneres europeias que pretendem aumentar as frotas em 14 por cento no primeiro caso e 10 por cento no último caso.

“Notámos claramente uma inversão do estado de espírito e da opinião. Os decisores irão tomar decisões para a redução dos seus parques com impacto direto nas vendas das marcas automóveis e em termos de custos”, disse à agência Lusa o responsável pelo CVO em Portugal, Rui Duarte.

Se no ano passado, as empresas adotaram como primeira medida de combate à crise a redução dos custos com combustível e da motorização dos veículos, este ano “estão claramente a tomar medidas que já eram necessárias pela pressão de toda a envolvente”, sublinha Rui Duarte.

A perceção do aumento da pressão dos custos na frota é contudo “significativamente mais moderada” no segmento das grandes empresas, adianta o estudo.

Quanto ao mercado de usados, 39 por cento das médias empresas e 34 por cento das grandes empresas afirmam que o valor residual do mercado vai descer, enquanto apenas 17 por cento e 12 por cento, respetivamente, defendem o contrário.

Rui Duarte explica que apesar de o aluguer financeiro (‘leasing’) continuar a ser o método de financiamento mais utilizado em Portugal, representando 46 por cento das escolhas, o aluguer operacional (AOV) tem vindo a conquistar cada vez mais terreno, sobretudo entre as grandes empresas, atingindo 45 por cento de penetração. O responsável justifica parte desta situação com as dificuldades de acesso ao crédito e em termos de aquisição própria.

“Tem havido uma transferência para o aluguer operacional, o chamado ‘renting’, que tem crescido ao longo dos últimos oito anos, a uma média de sete ou oito por cento ao ano. É um método que está claramente a ser muito aceite, com quotas de 45 por cento nas grandes empresas e terá um efeito no restante mercado”, disse.

Por outro lado, o mercado português é mais recetivo à utilização de veículos verdes do que os restantes mercados: “26 por cento das grandes e médias empresas portuguesas estimam em três anos utilizar veículos híbridos a diesel e 6 por cento veículos elétricos, enquanto as suas congéneres europeias não ultrapassam uma previsão de 10 por cento e três por cento, respetivamente”.

Apesar disso, Rui Duarte frisa que esta é ainda uma “fase muito embrionária para haver uma adoção efetiva” de veículos verdes.

O estudo foi realizado pela Arval no primeiro trimestre deste ano em 15 países e envolveu empresas de todas as indústrias que utilizam veículos corporativos.

Saiba mais sobre:
Foto: 123RF
Frotas das empresas portuguesas vão encolher em contraciclo com Europa | © 123RF
PUBLICIDADE
';
PUBLICIDADE